sábado, 28 de abril de 2012

SERGIO CORAZZINI: Outros poemas traduzidos

     

Em complemento ao ensaio que foi publicado na edição de Março da revista Verbo 21, segue mais cinco poemas do poeta italiano Sergio Corazzini (1886-1907). Assim sendo, oferece-se a oportunidade de publicação a uma poesia que é praticamente desconhecida do leitor brasileiro. Os livros publicados pelo autor italiano, assim como de outros poetas do movimento que integravam, os Crepuscolari, foram alvos de contato em poetas brasileiros no início do Século XX. Os poemas abaixo sugerem transparecer alguns pontos estéticos que aproximam de certas composições, sobretudo dos volumes de poesia iniciais de Manuel Bandeira, Rui Ribeiro Couto e Raul de Leoni, poetas que tiveram de alguma forma uma aproximação perene e afetiva com determinadas obras do referido movimento.
Nos poemas isométricos, procurei quando possível conservar a métrica decassílaba e as acentuações de ritmo internas desse tipo de verso, os quais são similares ao hendecassílabo italiano. Nos poemas com versificação polimétrica, buscou-se a tradução mais próxima (e literal) dos originais, com atenção à preservação do ritmo e a fluência mais apropriada dos versos em português. Quando não foi possível valer-se da tradução literal devido às condições de natureza formal, busquei pela solução do qual Sérgio Milliet prescrevia, ou seja, em ideia precisa de equivalência, consistindo da não tradução exata das palavras, mas da expressão do mesmo sentimento e até das mesmas imagens sob forma diferente.
Cabe salientar que apesar de algumas similitudes entre as línguas advindas do mesmo tronco linguístico foram necessários algumas modificações frasais, antecipações e/ou retardos do andamento dos versos no original para sua versão em português. Tal fator considera-se como algo natural ao contexto de traduções, estritamente quando são em versos, uma vez que suas especialidades, ritmo e permanência do que se considera o poético são fatores a ser considerados como essenciais à natureza do trabalho.

Para continuar a leitura deste ensaio, seguir o link:

sexta-feira, 13 de abril de 2012

DAS CONTEMPLAÇÕES I & II

I

Suprema! Simplesmente és Suprema!
irremediavelmente viça e bela
real verdade a placidez ao vê-la
lance harmonioso e de Beleza extrema.

Exótica tu és, fina e formosa,
sim! Que me atrai, prende, comove em prantos,
são mistérios sutis, são bons encantos,
a delicada forma augusta e airosa.

És a Lua que brilha no momento.
reina a constelação, reina os espaços
cristaliza a amplidão do Sentimento.

Se, então, a Harmonia há de estar acesa,
deixa-me confinar nesses teus braços,
ó majestosa flor da sutileza...                               

II

É mais que uma vibrante formosura
da qual me transcendo em emoção,
a beleza que invade o coração
traz uma luz, uma energia pura.

Onde ela passa tudo se transforma;
é como se trazer fosse, em verdade,          
esta sublime e audaz felicidade
que abala o todo e modifica a norma.

És como um oásis de fonte benigna,
esta suprema realeza digna
me prende, me arrebata... desconcerto:

assim rendido fico, porém certo
de que sabes, eu te desejo a fundo,
és a coisa que mais quero no Mundo...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

SÉRGIO CORAZZINI E OS CREPUSCOLARI












O poeta italiano Sergio Corazzini (1886-1907) talvez seja um nome completamente desconhecido pelo público leitor brasileiro, incluindo àqueles que são mais achegados à literatura e à poesia. No entanto, o autor é conhecido e reconhecido no seu país de origem como um dos poetas que pertenceu a um grupo literário, do qual se diferenciavam de outros movimentos à época. Os Crepuscolari, como ficaram conhecidos, conviveram com outras duas tendências estéticas de relevância naquele momento: o Simbolismo, movimento iniciado na última década do Século XIX, que tinha como principal expoente Gabriele D’Annunzio (1863-1938), escritor e poeta já consagrado não só na literatura italiana; e o Futurismo, movimento que iniciava e influenciava outras esferas artísticas para além das letras, tendo como principal artífice Filippo Tomazzo Marinetti (1876-1944).

O nome Crepuscolari foi apresentado pela primeira vez em 1910, através do crítico literário e poeta Giuseppe Borguese (1882-1952), reconhecendo nesse grupo características reativas principalmente ao conteúdo retórico do Simbolismo e introduzindo novas soluções formais e estilísticas. A metáfora escolhida para intitular o grupo indica a integralização desse movimento a uma parábola idealizada da poesia italiana, que sugere o período compreendido de um dia. Assim no esplendor de cada movimento autores de relevada importância cultural se distingue primeiramente pela Manhã — Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Bocaccio —; o Meio dia — Matteo Maria Boiardo, Ludovico Ariosto e Torquato Tasso—; a Tarde — Carlo Goldoni, Giuseppe Parini, Vittorio Alfieri —, e Fim de tarde —Ugo Foscolo, Alessandro Malzoni, e Giácomo Leopardi.

A publicação de obras que pertencem ao ideário dos Crepuscolari iniciou-se em 1901, durando cerca de uma década e meia. Além de Sérgio Corazzini, destacaram-se outros poetas, iniciantes também na atividade literária: Guido Gozzano (1883-1916), Corrado Govoni (1884-1965), Tito Marrone (1882-1967), Aldo Palazzeschi (1885-1974), Fausto Maria Martini (1886-1931). Com exceção de Gozzano e Corazzini — autores onde as características dos Crepuscolari estão mais evidenciados — os demais autores a posteriori aderiram ao Futurismo.

Para continuar a ler o ensaio completo (que inclui traduções minhas do poeta italiano), seguir o link :http://www.verbo21.com.br/v5/index.php?option=com_content&view=article&id=1145:sergio-corazzini-e-os-crepuscolari-claudio-sousa-&catid=106:resenhas-e-ensaios-marco-2012&Itemid=140